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Juros simples e juros compostos: a diferença que pesa no seu bolso

Nos juros simples, o juro incide só sobre o valor original. Nos compostos, incide sobre o que já virou dívida. A diferença cresce com o tempo.

Por Marcelo MoreiraPublicado em 05 de agosto de 20264 minutos de leitura
Foto: Cht Gsml / Unsplash
Foto: Cht Gsml / Unsplash
Composto
Tempo
CET
Em resumo
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Nos juros simples, o percentual incide sempre sobre o valor original da dívida, gerando um crescimento linear. Nos juros compostos, o percentual incide sobre o saldo acumulado — ou seja, sobre o principal mais os juros já gerados —, produzindo crescimento exponencial. Operações de crédito no Brasil, inclusive o empréstimo consignado, trabalham com juros compostos. É esse efeito que faz uma dívida de cartão de crédito dobrar em poucos meses.

Todo mundo já ouviu falar em juros compostos como a oitava maravilha do mundo. A frase costuma vir associada a investimentos, mas ela funciona igual na direção contrária — e é aí que a maioria das pessoas encontra o conceito pela primeira vez, sem saber o nome dele.

A diferença em números

Veja R$ 1.000 a 5% ao mês nos dois regimes. Nos primeiros meses a diferença parece pequena; depois ela abre.

MêsJuros simplesJuros compostosDiferença
1R$ 1.050R$ 1.050R$ 0
6R$ 1.300R$ 1.340R$ 40
12R$ 1.600R$ 1.796R$ 196
24R$ 2.200R$ 3.225R$ 1.025
36R$ 2.800R$ 5.792R$ 2.992

Por que a dívida do cartão cresce tão rápido

O rotativo do cartão está entre as modalidades mais caras do mercado, e ele opera em regime composto. A cada mês, o juro do mês anterior passa a fazer parte da base de cálculo.

É por isso que uma fatura não paga se transforma em algo irreconhecível em menos de um ano. Não é multa nem punição — é a matemática do regime composto rodando sobre uma taxa alta.

O mesmo mecanismo a seu favor

A régua vale nos dois sentidos. Aplicações financeiras e a correção do FGTS também compõem, mês após mês.

A diferença prática é a taxa: o rendimento de uma aplicação conservadora costuma ser uma fração do que o rotativo do cartão cobra. Por isso, quitar dívida cara quase sempre rende mais que investir — você está garantindo, ao contrário, o retorno que deixaria de perder.

Onde cada regime aparece

SituaçãoRegime
Empréstimo consignadoComposto
Rotativo do cartãoComposto
Financiamento imobiliárioComposto
Multa e juros de mora contratuaisCostuma ser simples, conforme o contrato
Aplicações financeirasComposto
Correção do FGTSComposto

A regra dos 72

Um atalho útil para estimar de cabeça: divida 72 pela taxa mensal e você tem, aproximadamente, em quantos meses a dívida dobra em regime composto.

A 15% ao mês, uma dívida dobra em cerca de 5 meses. A 2% ao mês, leva 36 meses. Esse único cálculo já mostra por que a modalidade da dívida importa mais que o valor dela.

Taxa mensalTempo para dobrar
1%cerca de 72 meses
2%cerca de 36 meses
5%cerca de 14 meses
10%cerca de 7 meses
15%cerca de 5 meses

O que fazer com essa informação

Duas decisões práticas saem daqui. A primeira: sempre ataque primeiro a dívida de maior taxa, não a de maior valor — é ela que está compondo mais rápido.

A segunda: quanto antes você quita, menos tempo o efeito composto tem para trabalhar contra você. É por isso que a quitação antecipada, com redução proporcional de juros, costuma valer muito mais do que a intuição sugere.

Veja o efeito na prática

Mude o prazo e observe como o total pago cresce, mesmo com a parcela caindo. É o regime composto trabalhando.

Parcela mensalR$ 259,88
Total pagoR$ 6.237,24
Custo dos jurosR$ 1.237,24
Confirmar condições reaisSimulação pela Tabela Price, apenas para referência. Suba a taxa até 15% para ver como o rotativo do cartão se comporta.

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Perguntas frequentes

O consignado usa juros simples ou compostos?
Compostos, como praticamente todas as operações de crédito no Brasil. A parcela é fixa pela Tabela Price, mas o cálculo por trás é composto.
Por que minha dívida de cartão dobrou tão rápido?
Porque o rotativo tem taxa alta e regime composto: o juro de cada mês entra na base do mês seguinte. Pela regra dos 72, a 15% ao mês uma dívida dobra em cerca de cinco meses.
Vale mais investir ou quitar dívida?
Se a taxa da dívida é maior que o rendimento da aplicação, quitar rende mais. Como o rotativo e o cheque especial costumam ser muito mais caros que qualquer aplicação conservadora, a conta raramente é dúvida.
O que é a regra dos 72?
Um atalho: divida 72 pela taxa mensal para estimar em quantos meses o valor dobra em regime composto. Serve tanto para dívida quanto para investimento.
Antecipar a quitação realmente economiza?
Sim. Você tem direito à redução proporcional dos juros ainda não incorridos, e corta o tempo em que o efeito composto atua sobre o saldo.

Marcelo Moreira

Consultor de crédito

Atende clientes da CredFácil Sacramento desde a fundação. Especialista em consignado INSS e antecipação de FGTS, escreve para explicar em português claro o que os contratos escondem em letra miúda.

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