Lei do superendividamento: o que ela garante a quem não consegue mais pagar
A lei criou o direito de renegociar todas as dívidas de uma vez, com um plano de até cinco anos, preservando o mínimo para viver.
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A cena clássica do endividamento é a pessoa negociando dívida por dívida, uma de cada vez, e nunca conseguindo respirar: acerta o cartão, atrasa o consignado; acerta o consignado, atrasa a luz. A lei mudou a lógica ao permitir juntar tudo numa mesa só.
O que a lei considera superendividamento
É a impossibilidade manifesta de o consumidor pessoa física, de boa-fé, pagar a totalidade de suas dívidas de consumo sem comprometer o mínimo existencial.
Duas expressões carregam o sentido. Boa-fé: não vale para quem se endividou com a intenção de não pagar. Mínimo existencial: a parcela da renda necessária para manter você e sua família vivendo com dignidade.
Quais dívidas entram e quais ficam de fora
| Entram | Ficam de fora |
|---|---|
| Empréstimo consignado | Dívidas contraídas com fraude ou má-fé |
| Cartão de crédito e rotativo | Contratos de produtos e serviços de luxo de alto valor |
| Crédito pessoal e cheque especial | Dívidas alimentares (pensão) |
| Financiamentos de consumo | Dívidas fiscais e tributárias |
| Contas de água, luz e telefone | Dívidas não relacionadas a consumo |
Como funciona a repactuação conjunta
A ideia central é reunir todos os credores numa audiência única, em vez de negociar separadamente com cada um. O consumidor apresenta um plano de pagamento e os credores respondem.
O plano deve caber na renda depois de garantido o mínimo existencial, e pode incluir prazo maior, redução de encargos e suspensão de cobranças enquanto vigorar.
- Reúna todos os documentos das dívidas: contratos, extratos, valores atualizados
- Junte comprovantes de renda e de despesas essenciais da casa
- Procure o Procon do seu município ou a Defensoria Pública — o serviço é gratuito
- Peça a instauração do processo de repactuação conjunta
- Compareça à audiência de conciliação com todos os credores
- Se houver acordo, ele vira plano; se não houver, o caso pode seguir para revisão judicial
O que a lei também proíbe
Além de criar o direito à renegociação, a lei atacou práticas que empurram as pessoas para o endividamento. Reconhecer essas condutas ajuda a contestar contratos.
Se algo assim aconteceu na sua contratação, registre — é elemento relevante na repactuação.
- Assédio de consumo, especialmente contra idosos, analfabetos e pessoas vulneráveis
- Publicidade que fale em crédito sem juros ou sem custo quando não é verdade
- Ocultar o custo total do crédito ou dificultar o acesso ao CET
- Condicionar o atendimento à contratação de outro produto
- Assediar quem já está superendividado com nova oferta de crédito
O mínimo existencial na prática
A lei protege a parcela da renda destinada às despesas essenciais: moradia, alimentação, saúde, transporte, educação e higiene. Nenhum plano pode consumir esse núcleo.
É por isso que vale levar à audiência a planilha das despesas fixas da casa. Sem esse número, a negociação vira uma discussão sobre o que é razoável — com ele, vira uma conta.
Quando procurar a Justiça
Se a conciliação falha, o consumidor pode pedir ao juiz a instauração do processo de revisão e repactuação. O juiz pode impor um plano compulsório aos credores que não aceitaram acordo.
A Defensoria Pública atende gratuitamente quem não pode pagar advogado, e é o caminho natural para quem chegou nesse ponto.
O que levar ao Procon
Produtos que podem resolver o seu caso
Crédito Pessoal
Dinheiro na conta sem precisar justificar a finalidade.
Refinanciamento
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Perguntas frequentes
A lei perdoa dívidas?
Preciso de advogado para pedir?
Meu nome sai do SPC durante a repactuação?
Consignado entra na repactuação?
Posso pedir mais de uma vez?
Marcelo Moreira
Atende clientes da CredFácil Sacramento desde a fundação. Especialista em consignado INSS e antecipação de FGTS, escreve para explicar em português claro o que os contratos escondem em letra miúda.