Carência entre um consignado e outro: quanto tempo esperar para contratar de novo
Não existe uma regra única. O prazo depende do que você quer fazer — novo contrato, refinanciamento ou portabilidade — e da política de cada banco.
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A pergunta chega quase sempre no mesmo formato: já peguei um consignado, quando posso pegar outro. E a resposta muda completamente conforme o que a pessoa quer fazer — três operações diferentes que costumam ser tratadas como se fossem a mesma coisa.
Três operações, três regras
Antes de falar em prazo, é preciso separar o que você quer. As três coisas abaixo têm carências diferentes e por motivos diferentes.
| Operação | O que é | Carência típica |
|---|---|---|
| Contrato novo | Um segundo empréstimo, paralelo ao primeiro | Nenhuma — depende só de sobrar margem |
| Refinanciamento | Renovar o contrato existente e receber um troco | 20% a 30% das parcelas pagas, por política do banco |
| Portabilidade | Transferir o saldo para outro banco | Sem carência regulatória; política varia |
Contrato novo: o limitador é a margem
Se você fez um consignado que consome R$ 300 da sua margem de R$ 531, sobram R$ 231. Com esses R$ 231 você pode contratar outro empréstimo hoje mesmo, em qualquer banco, sem esperar nada.
O que impede não é o tempo, é o espaço. E vale a pergunta desconfortável: se o primeiro empréstimo não resolveu o problema, o segundo vai resolver — ou só empurra a conta?
Refinanciamento: por que os bancos exigem parcelas pagas
No refinanciamento você renova o mesmo contrato, geralmente com prazo maior, e recebe a diferença em dinheiro. Para o banco, isso só faz sentido depois que uma parte razoável do contrato foi amortizada.
A régua mais comum gira entre 20% e 30% das parcelas quitadas. Num contrato de 84 meses, isso significa esperar de 17 a 25 meses. Alguns bancos são mais flexíveis, outros mais rígidos — não existe número universal.
Benefício recém-concedido: a carência que pega mais gente
Quem acabou de se aposentar tem margem cheia e ainda assim leva não. O motivo é a carência aplicada pelos bancos desde a concessão do benefício, que costuma ficar em torno de 90 dias.
É uma proteção contra fraude: benefício muito novo ainda pode ser revisto ou cancelado pelo INSS, e o banco não quer averbar desconto num benefício instável.
O que muda por tipo de vínculo
| Vínculo | Contrato novo | Refinanciamento |
|---|---|---|
| INSS | Depende da margem; benefício novo costuma ter cerca de 90 dias | Percentual de parcelas pagas, por política do banco |
| CLT | Depende da margem e do vínculo ativo no eSocial | Varia bastante entre bancos |
| Servidor público | Depende da margem e das regras do órgão pagador | O órgão pode ter regra própria além da do banco |
Esperar pode valer mais do que contratar agora
Existe um cálculo que quase ninguém faz: quanto mais parcelas você paga antes de refinanciar, menor o saldo devedor que entra na nova operação e menos juros você paga no total.
Refinanciar cedo demais é o caminho mais rápido para a dívida perpétua — aquela em que a pessoa nunca vê o contrato acabar porque renova a cada dois anos. Se o refinanciamento é para cobrir um buraco recorrente do orçamento, o problema não é a carência. É o orçamento.
Antes de contratar de novo
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Perguntas frequentes
Posso ter dois consignados ao mesmo tempo?
Existe prazo mínimo por lei entre um consignado e outro?
Quitei um contrato. Quando a margem volta?
Fui recusado por carência. Adianta tentar em outro banco?
Refinanciar de novo antes de acabar o anterior é ruim?
Marcelo Moreira
Atende clientes da CredFácil Sacramento desde a fundação. Especialista em consignado INSS e antecipação de FGTS, escreve para explicar em português claro o que os contratos escondem em letra miúda.