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Refinanciamento ou portabilidade: a diferença que decide quanto você vai pagar

Uma renova o contrato e te devolve um troco. A outra só troca o credor e derruba a taxa. Confundir as duas custa caro.

Por Marcelo MoreiraPublicado em 05 de agosto de 20264 minutos de leitura
Foto: Vitaly Gariev / Unsplash
Foto: Vitaly Gariev / Unsplash
3
CET
R$ 0
Em resumo
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Na portabilidade, outro banco quita o seu contrato atual e você passa a pagar a ele com uma taxa menor, mantendo o saldo devedor e o prazo restante — não há dinheiro novo. No refinanciamento, o mesmo banco renova o contrato, normalmente alongando o prazo, e libera a diferença como troco. Existe ainda a portabilidade com troco, que combina as duas: você migra para taxa menor e recebe um valor. A escolha certa depende de você precisar ou não de dinheiro agora.

Quando o telefone toca oferecendo, quase nunca vem a palavra refinanciamento. Vem uma pergunta bem mais atraente: quer receber um dinheiro na conta mantendo a mesma parcela? A resposta natural é sim. O que raramente vem junto é o prazo novo.

As três operações, lado a lado

PortabilidadeRefinanciamentoPortabilidade com troco
Recebe dinheiro?NãoSim, um trocoSim
Muda de banco?SimNãoSim
PrazoMantém o que faltaNormalmente aumentaRenegociado
TaxaCai, se o novo banco oferecer menosPode subir ou cairCai, em geral
ObjetivoPagar menos jurosConseguir dinheiro agoraOs dois ao mesmo tempo

Por que o refinanciamento parece melhor do que costuma ser

No refinanciamento, o banco recalcula o contrato com prazo novo. A parcela pode até continuar igual, e ainda sobra um troco. Parece dinheiro de graça.

Não é. Você voltou ao início do cronograma de amortização: nas primeiras parcelas, quase tudo é juro de novo. Quem refinancia a cada dois anos paga juros sobre juros por uma década e nunca vê o contrato terminar.

Quando cada uma faz sentido

Sua situaçãoMelhor caminho
Não preciso de dinheiro, quero pagar menos jurosPortabilidade
Preciso de dinheiro e minha taxa atual é boaRefinanciamento, com prazo o menor possível
Preciso de dinheiro e minha taxa atual é altaPortabilidade com troco
Faltam poucas parcelas para acabarNenhuma das três — termine o contrato
Preciso do troco para fechar o mêsNenhuma — o problema é o orçamento, não o crédito

Como comparar sem se enganar

Comparar pela parcela é o erro mais comum, porque a parcela pode cair só porque o prazo dobrou. Compare por dois números juntos.

Primeiro, o CET. Segundo, o total pago — parcela vezes número de parcelas, mais o que você recebeu de troco descontado. Só assim as propostas ficam comparáveis.

  1. Peça o saldo devedor atualizado do contrato atual
  2. Peça propostas com CET, número de parcelas e total pago
  3. Some o total pago em cada cenário, incluindo o já quitado
  4. Confira se o prazo aumentou e em quantos meses
  5. Só então compare com o troco oferecido

Retenção: quando o banco atual reage

Ao pedir portabilidade, é comum o banco original ligar oferecendo igualar ou melhorar a taxa. Isso é legítimo e pode ser vantajoso, porque evita a burocracia da migração.

Só exija a proposta por escrito, com o novo CET e o novo cronograma. Promessa por telefone não aparece no contracheque do mês seguinte.

O sinal de alerta

Se você está considerando refinanciar pela terceira vez no mesmo contrato, o problema provavelmente não é a taxa. É que o orçamento não fecha e o crédito virou a ponte mensal.

Nesse caso, refinanciar adia o problema e aumenta o custo. O caminho é olhar o orçamento inteiro e, se for o caso, buscar a repactuação prevista na Lei do Superendividamento — que trata todas as dívidas de uma vez.

Compare os cenários

Simule o contrato atual e o proposto. Olhe o total pago, não só a parcela.

Parcela mensalR$ 521,01
Total pagoR$ 31.260,87
Custo dos jurosR$ 11.260,87
Confirmar condições reaisSimulação pela Tabela Price, apenas para referência. Peça o CET das duas propostas antes de decidir.

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ObjetivoParcela menor
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Perguntas frequentes

Refinanciamento aumenta minha dívida?
Aumenta o saldo devedor, porque você recebeu um troco, e normalmente alonga o prazo. A parcela pode continuar igual, mas o total pago cresce.
Portabilidade tem custo?
Não pode haver tarifa pela portabilidade. Podem incidir encargos previstos na nova operação — exija tudo no CET por escrito.
Posso portar e depois refinanciar?
Pode. Muita gente porta primeiro para derrubar a taxa e só depois avalia se precisa de troco, o que é a ordem mais econômica.
O banco atual pode recusar a portabilidade?
Não. É um direito regulado pelo Banco Central. Ele pode oferecer retenção, mas não pode barrar nem cobrar por isso.
Qual das duas é melhor para quem quer se livrar da dívida?
Portabilidade, sem dúvida. Ela reduz o custo sem alongar o prazo. Refinanciamento é para quem precisa de dinheiro, não para quem quer quitar mais rápido.

Marcelo Moreira

Consultor de crédito

Atende clientes da CredFácil Sacramento desde a fundação. Especialista em consignado INSS e antecipação de FGTS, escreve para explicar em português claro o que os contratos escondem em letra miúda.

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