Fui demitido com consignado ativo: o que acontece com a dívida
O desconto sai da folha, mas a dívida continua. E parte dela pode ser cobrada da sua rescisão e do seu FGTS.
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A demissão já é um golpe no orçamento. Descobrir que o dinheiro da rescisão vai ser menor do que você calculou é o segundo. Vale entender exatamente quanto pode ser retido, porque a conta é previsível — e dá para se preparar.
O que acontece no dia da demissão
Três coisas ocorrem quase ao mesmo tempo. Primeiro, o desconto em folha para, porque não há mais folha. Segundo, o banco é notificado do fim do vínculo pelo eSocial. Terceiro, as garantias previstas no contrato são acionadas.
Nada disso depende de você autorizar de novo. A autorização foi dada quando você assinou o contrato — por isso vale tanto ler antes de assinar.
Quanto pode ser retido: a conta
Os limites são definidos em lei e os percentuais se aplicam sobre bases diferentes. Um exemplo torna isso concreto.
| Item | Valor de exemplo | Percentual retido | Vai para o banco |
|---|---|---|---|
| Verbas rescisórias | R$ 6.000 | até 35% | até R$ 2.100 |
| Saldo do FGTS | R$ 12.000 | até 10% | até R$ 1.200 |
| Multa de 40% | R$ 4.800 | até 100% | até R$ 4.800 |
| Total possível | — | — | até R$ 8.100 |
E o que sobra da dívida
Se a soma das garantias não cobre o saldo devedor, o resto continua sendo seu. Ele deixa de ser consignado e vira uma dívida comum, cobrada por boleto ou débito em conta.
Isso muda algo importante: sem o desconto automático, o pagamento depende de você. Se atrasar, entra em inadimplência, vai para os birôs de crédito e começa a acumular encargos.
Consegui outro emprego. Dá para voltar ao desconto em folha?
Dá. O consignado do trabalhador acompanha a pessoa, não o empregador. Assim que o novo vínculo aparecer no eSocial, é possível retomar o desconto em folha com a nova margem.
Procure o banco assim que assinar o novo contrato de trabalho. Retomar o desconto costuma ser melhor do que continuar pagando boleto, porque preserva a taxa original do consignado.
- Avise o banco do novo vínculo
- Confirme se a margem no novo salário comporta a parcela
- Peça a reaverbação do desconto em folha
- Confira o primeiro contracheque para validar
Não consigo pagar. Quais são as opções
Silêncio é a pior estratégia. Banco tem interesse em receber alguma coisa e costuma abrir espaço para acordo antes da dívida virar prejuízo contábil.
Se o seu caso envolve várias dívidas e você não consegue manter o mínimo existencial, a Lei do Superendividamento permite pedir a repactuação conjunta de todas elas.
- Procure o banco antes de atrasar, não depois
- Peça alongamento de prazo para reduzir a parcela
- Pergunte sobre carência de alguns meses
- Considere a portabilidade para uma taxa menor
- Em caso de superendividamento, procure o Procon para repactuação conjunta
Como se preparar antes que aconteça
Ninguém contrata consignado planejando ser demitido, mas a conta pode ser feita antes. Antes de assinar, simule: se eu perder o emprego no mês que vem, quanto da minha rescisão e do meu FGTS vai embora?
Se o resultado deixa você sem colchão nenhum, o empréstimo está grande demais para o seu nível de estabilidade — independentemente de a parcela caber na margem hoje.
O que fazer nos primeiros 30 dias
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Perguntas frequentes
O banco pode ficar com toda a minha rescisão?
Pedi demissão. As mesmas regras valem?
Fiquei desempregado e a dívida atrasou. Perco o FGTS todo?
Posso quitar antecipadamente com a rescisão?
O novo empregador fica sabendo da dívida?
Marcelo Moreira
Atende clientes da CredFácil Sacramento desde a fundação. Especialista em consignado INSS e antecipação de FGTS, escreve para explicar em português claro o que os contratos escondem em letra miúda.